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Benazir Bhutto

Benazir Bhutto, nascida em Karachi no dia 21 de junho de 1953, foi a primeira mulher a comandar um estado muçulmano moderno. Por duas vezes. E não foi um estado qualquer: o Paquistão, por sua posição geopolítica estratégica, tem sido terreno de disputa acirrada entre interesses imperiais e imperialistas diversos ao longo do tempo. Uma disputa banhada em sangue de mártires ... Benazir era filha de Zulfikar Ali Bhutto, político de tendência socialista que assumiu a presidência em 1971, dando início a um grande projeto de nacionalização e a uma ambiciosa reforma agrária. Conquistou a admiração do povo, mas desagradou setores poderosos, como o empresariado, o clero islâmico e as Forças Armadas. Foi deposto, condenado à morte e por fim executado pelo governo oriundo de um golpe de estado comandado pelo general Muhammad Zia-ul-Haq. Zia-ul-Haq era um daqueles “ditadores amigos” do “Grande Irmão do norte”, os Estados Unidos da América, país que posa de farol da democracia mas q…
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1 Ano sem Roberto Nunes, do "Cine Cult"

(NOTA: Matéria publicada originalmente no jornal Folha da praia) Ele passou mal durante a madrugada e foi ao hospital, mas se recusou a ficar internado. Apresentava um caso grave de hemorragia no sistema digestivo, e só saiu de lá depois de assinar um termo de responsabilidade. O quadro piorou quando ele voltou pra casa e em duas horas precisou voltar ao pronto socorro. Tarde demais: O produtor cultural Roberto Nunes, responsável pela programação nacional das Sessões “Cine Cult”, do Cinemark, faleceu na madrugada do dia 15 de julho do ano passado, aos 47 anos. Em Natal, RN, para onde havia se mudado há cerca de 1 ano. Era um tremendo “cabeça dura” que vivia brigado com Deus e o mundo, mas era também um agitador, responsável por alguns dos projetos mais inusitados que vimos por estas plagas e que geraram noites memoráveis no saguão do principal complexo cinematográfico da cidade. Faz falta ...

Não posso dizer, no entanto, que me surpreendi com a notícia. Roberto bebia e comia muito, d…

Necro.

Vem de Alagoas – terra do Mopho! - uma das maiores promessas de renovação do cenário do rock independente nacional: a banda Necro. Trata-se de um “power trio” formado em 2009, em Maceió, com o nome de “Necronomicon”, em referência ao livro dos mortos da mitologia lovecraftiana. Influenciados pela psicodelia, pelo rock progressivo e pelo Hard rock “setentista”, conseguiram chamar a atenção de um pequeno selo norte-americano especializado no estilo, o Hydro-phonic records, que lançou no mercado internacional, em vinil, seus dois únicos álbuns – que foram precedidos por um EP de estréia, lançado em 2011.
O primeiro, “Queen of death”, de 2012, é um disco conceitual cantado em inglês que conta, em suas letras, uma história baseado num conto de fantasia e ficção científica escrito pelo baixista/vocalista Pedro Ivo. Se fosse "quadrinizado", poderia ser publicado na célebre revista “Heavy Metal”. Narra as desventuras de um assassino contratado para matar a tal Rainha da Morte, líd…

KARNE KRUA

Karne Krua, a mais importante banda de rock de Sergipe, começou há exatos 30 anos, no início de 1985, na cidade de Aracaju. É, muito provavelmente – quase que certamente - a mais antiga banda de punk rock em atividade na região nordeste do Brasil. Em atividade ininterrupta! É muito comum que bandas de rock “underground” se formem, marquem uma época – ou não – e então sucumbam às dificuldades e interrompam suas atividades, pelo menos por um tempo. Às vezes por um longo período. Isso não aconteceu com a Karne Krua: eles nunca pararam! Houve uma grande rotatividade de membros, ao ponto de existir, na formação atual, apenas um componente egresso do “line up” original: Silvio Campos. Que já era inquieto e montava bandas – The Merda´s (com Helder “podre”, o DJ Dolores), Sem Freio na língua – desde o final da década de 1970. Ainda hoje, incansável, toca diversos projetos ao mesmo tempo, indo do blues da Máquina Blues ao “grindcore” da Logorréia.
Dificuldades não faltaram: nos primórdios, e…

povo pop no poder

Luiz Inácio Lula da Silva contou com a aprovação de 87% da opinião pública ao sair do Planalto. A popularidade colossal faz dele um dos governantes mais bem-sucedidos da história contemporânea, e o de maior êxito num período democrático: foi eleito, reeleito e passou o cargo a uma sucessora que escolheu à revelia das forças que o sustentavam, além de jejuna nas urnas. O triunfo de Lula se deve à percepção de que, ao longo da sua Presidência, houve aumento real do salário mínimo, dezenas de milhões de brasileiros passaram a comprar o essencial para viver e uma parcela significativa do povo dispôs de bolsas estatais para dirimir a miséria. Noutra esfera da sociedade, a do privilégio, nunca na história deste país os poderosos – do exterior e do interior – ganharam tanto. Em termos econômicos, o governo do petista foi a favor de todos, e conseguiu agradar a quase todos.
Como a vida não é só economia, ainda que ela a determine, há outras maneiras de explicar a popularidade de Lula. Duas i…

Carbonos do pop

Em uma manhã de novembro de 1975, Guto Graça Mello, um jovem de 27 anos, recebeu um telefonema na sede da gravadora Som Livre, da qual era diretor: “Guto? Preciso falar com você, urgente! Larga o que estiver fazendo aí e vem pra cá agora!” A ordem era de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, todo-poderoso da Globo.

Boni precisava resolver um problema sério: não aprovara a trilha sonora que um produtor havia feito para a novela Pecado Capital, que estava prestes a estrear, e tinha quatro dias para preparar uma nova. Guto disse que a única maneira de conseguir isso em tão pouco tempo seria fazer uma coleta nas gravadoras e escolher as melhores músicas de cada uma. Boni concordou, mas fez uma exigência: o tema de abertura teria de ser inédito. Guto pediu socorro a Paulinho da Viola: “Fui à casa do Paulinho e ele compôs Pecado Capital (“Dinheiro na mão é vendaval...”) ali, na minha frente, em menos de duas horas. Foi uma coisa assombrosa.”

Guto correu às principais gravadoras e co…

AÉCIO NEVER

“Vamos fazer um negócio curtinho lá, senão ninguém aguenta. Pá, pum! E aí entra a música.” Aécio Neves da Cunha batia a lateral da mão direita na palma esquerda, ritmadamente. Orientava os discursos que seriam feitos dali a algumas horas no lançamento da pré-candidatura de Pimenta da Veiga ao governo de Minas Gerais. Dentro do jatinho que ia de Brasília a Belo Horizonte naquela manhã de fevereiro, cinco coadjuvantes da festa ouviam o senador com atenção. Além do presidente do PSDB paulista, Duarte Nogueira, e do líder do partido na Câmara, Antonio Imbassahy, estavam no voo os presidentes da seção mineira do PSB, do PDT e do PT do B. A fauna política era uma pequena amostra do modo de operar de Aécio. Se tudo correr conforme o planejado, Pimenta da Veiga terá mais de 20 legendas apoiando sua candidatura.

De janeiro a maio, o senador mineiro fez quarenta viagens de avião custeadas pelo partido – dezesseis delas para São Paulo. As agendas eleitorais disfarçadas de compromissos partidário…